terça-feira, 31 de maio de 2011

A DESCIDA DE INANNA AO INFERNO

Do "Grande Superior" ela dirigiu o seu pensamento ao "Grande Inferior"
A deusa, do "Grande Superior" ela dirigiu o seu pensamento ao "Grande Inferior"
Inanna, do "Grande Superior" ela dirigiu o seu pensamento ao "Grande Inferior"
A minha senhora abandonou o Céu, abandonou a Terra,
Ao mundo inferior ela desceu,
Inanna abandonou o Céu, abandonou a Terra,
Ao mundo inferior ela desceu,
Abandonou o poder de rei, abandonou o poder de rainha,
Ao mundo inferior ela desceu.
As sete leis divinas, ela as uniu a um lado,
Juntou todas as leis divinas, tomou-as na mão,
Todas as leis, ela pô-las aos seus pés, que esperavam,
A shugurra, a coroa da planície, ela colocou-a sobre a cabeça,
Anéis de cabelo ela ajustou na testa,
A vara e a linha de medir de lápis-lazúli, ela as apertou na mão,
Pequenas pedras de lápis-lazúli ela cingiu ao pescoço,
Duas pedras nunuz gémeas ela atou ao peito,
Um anel de ouro apertou na mão,
O peitoral "Vem, homem, vem" atou ao peito,
Com o vestido pala de rainha cobriu seu corpo,
Com o unguento "Que ele venha", que ele venha" ungiu os seus olhos.
Inanna caminhou para o mundo inferior,
O seu vizir Ninshubur seguia a seu lado,
A pura Inanna diz para Ninshubur:
"Ó tu que és o meu apoio constante,
Meu vizir das palavras favoráveis,
Meu cavaleiro das palavras verdadeiras,
Estou descendo ao mundo inferior.
Quando eu tiver chegado ao mundo inferior,
Solta lamentações por mim, como nas ruínas,
Na sala de reunião dos deuses toca o tambor por mim,
Na casa dos deuses procura-me,
Abaixa os teus olhos por mim, abaixa a tua boca por mim,
Como um pedinte, um traje pobre veste por mim,
Para o Ekur, a casa de Enlil, sozinho dirige os teus passos.
Ao entrares no Ekur, a casa de Enlil,
Chora perante Enlil:
"Ó pai Enlil, que a tua filha não seja ferida de morte no mundo inferior,
Que o tem bom metal não se cubra da poeira do mundo inferior,
Que o teu bom lápis-lazúli não seja quebrado dentro da pedra do canteiro,
Que a caixa de madeira não seja entalhada dentro da madeira do lenhador,
Que a donzela Inanna não seja condenada à morte no mundo inferior".
Se Enlil se não puser do teu lado, segue para Ur.
Em Ur, ao entrares em casa, da terra,
O Ekishnugal, a casa de Nanna,
Chora perante Nanna:
"Ó pai Nanna, que a tua filha não (...) – repetição da estrofe anteriorrelativa "
Se Nanna não se puser do teu lado, segue para Eridu.
Em Eridu, ao entrares em casa de Enki,
Chora perante Enki:
"Ó pai Enki, que a tua filha não (...) – repetição da estrofe anterior relativa "
O pai Enki, senhor da sabedoria,
Que conhece o "alimento da vida", que conhece a "água da vida",
Certamente te trará à vida.
Inanna desceu ao mundo inferior,
Ao seu mensageiro Ninshubur ela diz:
"Vai, Ninshubur,
Não esqueças as ordens que te dei".
Quando Inanna chegou ao palácio, à montanha de lápis-lazúli,
À porta do mundo inferior, ela agiu temerariamente,
No palácio do mundo inferior ela falou temerariamente:
"Abre a casa, Neti, abre a casa, eu, sozinha, quero entrar".
Neti, o porteiro principal do mundo inferior,
Responde à pura Inanna:
"Diz-me, por favor, quem és!"
"Eu sou a rainha do Céu, o sítio onde nasce o Sol".
"Se é a rainha do Céu, o sítio onde nasce o Sol,
Diz-me porque vieste à terra donde não se volta!
À estrada cujo viajante não mais volta, porque te conduziu o teu coração?"
A pura Inanna responde-lhe:
"A minha irmã mais velha, Ereshkigal,
Por causa do seu marido, o senhor Gugalanna, que foi assassinado,
Para assistir aos ritos funerários,
(...), assim seja".
Neti, o porteiro principal do mundo inferior,
Entra em casa da sua rainha Ereshkigal e diz-lhe:
"Ó minha rainha, é uma donzela que, como um deus (...)
Às sete leis divinas (...) – repetição da terceira estrofe completa –
(...)
Então Ereshkigal mordeu a sua coxa, estava cheia de ira,
E disse a Neti, o seu porteiro principal:
"Vem, Neti, porteiro principal do mundo inferior,
A ordem que eu te der, não a esqueças.
Levanta os ferrolhos das sete portas do mundo inferior,
Do seu único palácio, Ganzir, o "rosto" do mundo inferior, abre as portas.
Quando ela entrar,
Subjuga-a e que seja trazida nua à minha presença".
Neti, o porteiro principal do mundo inferior,
Escutou as palavras da sua rainha.
Levantou os ferrolhos das sete portas do mundo inferior,
Do seu único palácio, Ganzir, o "rosto" do mundo inferior, ele abriu as portas.
"Vem, Inanna, entra".
Quando ela entrou,
A shugurra, a "coroa da planície", da sua cabeça foi retirada,
"Por favor, que é isto?"
"Cala-te, Inanna, as leis do mundo inferior são perfeitas,
Ó Inanna, não desprezes os ritos do mundo inferior".
Quando ela entrou na segunda porta,
A vara e o fio de medir de lápis-lazúli foram-lhe retirados.
"Por favor, que é isto?"
"Cala-te, Inanna, as leis do mundo inferior são perfeitas,
Ó Inanna, não desprezes os ritos do mundo inferior".
Quando ela entrou na terceira porta,
As pequenas pedras de lápis-lazúli foram retiradas do seu pescoço.
(repetição idêntica às estrofes anteriores)
Quando ela entrou na quarta porta,
As pedras gémeas de nunuz foram retiradas do seu peito.
(repetição idêntica às estrofes anteriores)
Quando ela entrou na quinta porta,
O anel de ouro foi retirado da sua mão.
(repetição idêntica às estrofes anteriores)
Quando ela entrou na sexta porta,
O peitoral "Vem, homem, vem" foi retirado do seu peito.
(repetição idêntica às estrofes anteriores)
Quando ela entrou na sétima porta,
O vestuário pala da realeza foi retirado do seu corpo.
(repetição idêntica às estrofes anteriores)
Subjugada, foi trazida nua perante ela.
A pura Ereshkigal sentou-se no seu trono,
Os Anunnaki, os sete juízes, pronunciaram perante ela o seu julgamento,
Ela fixou o seu olhar sobre Inanna, o olhar da morte,
Disse contra ela a palavra, ä palavra da ira,
Pronunciou contra ela o grito, o grito da culpa,
A mulher doente tornou-se um cadáver,
O cadáver ficou pendurado num gancho.
Depois de terem passado três dias e três noites,
O seu vizir Ninshubur,
O seu vizir das palavras favoráveis,
O seu cavaleiro das palavras verdadeiras,
Soltou uma lamentação por ela, como (se faz) nas ruínas,
Tocou por ela o tambor na sala de reunião dos deuses,
Perguntou por ela na casa dos deuses,
Baixou por ela os olhos, baixou por ela a boca(...),
Como um pedinte, vestiu por ela um traje pobre,
Ao Ekur, a casa de Enlil, sozinho, dirigiu os seus passos.
Ao entrar no Ekur, a casa de Enlil,
Perante Enlil ele chora:
"Ó pai Enlil, que a tua filha não seja morta no mundo inferior,
Que o tem bom metal não se cubra da poeira do mundo inferior,
Que o teu bom lápis-lazúli não seja quebrado dentro da pedra do canteiro,
Que a caixa de madeira não seja destruída dentro da madeira do lenhador,
Que a donzela Inanna não seja morta no mundo inferior".
Como o pai Enlil não se pôs a seu lado, dirigiu-se a Ur.
Em Ur, ao entrar na casa da Terra,
O Ekishnugal, a casa de Nanna,
Perante Nanna ele chora:
"Ó pai Nanna, que a tua filha não seja morta no mundo inferior,
Que o tem bom metal não se cubra da poeira do mundo inferior,
Que o teu bom lápis-lazúli não seja quebrado dentro da pedra do canteiro,
Que a caixa de madeira não seja destruída dentro da madeira do lenhador,
Que a donzela Inanna não seja morta no mundo inferior".
Como o pai Nanna não se pôs a seu lado, partiu para Eridu.
Em Eridu, ao entrar na casa de Enki,
Perante Enki ele chora:
"Ó pai Enki, que a tua filha não seja morta no mundo inferior,
Que o tem bom metal não se cubra da poeira do mundo inferior,
Que o teu bom lápis-lazúli não seja quebrado dentro da pedra do canteiro,
Que a caixa de madeira não seja destruída dentro da madeira do lenhador,
Que a donzela Inanna não seja morta no mundo inferior".
O pai Enki responde a Ninshubur:
"O que aconteceu então a minha filha? Estou inquieto.
O que aconteceu então a Inanna? Estou inquieto.
O que aconteceu então à rainha de todas as terras? Estou inquieto.
O que aconteceu então à hierodula do Céu? Estou inquieto".
Ele tirou sujidade da sua unha e moldou o kurgarru
Ele tirou sujidade da sua unha pintada de vermelho e moldou o kalaturru
Ao kurgarru deu o "alimento da vida",
Ao kalaturru deu a "água da vida",
O pai Enki disse para kalaturru e kurgarru (...)
Eles – os deuses do mundo inferior - oferecer-vos-ão a água do rio, não a aceitem,
Oferecer-vos-ão o grão do campo, não o aceitem,
"Dá-nos o corpo pendurado do gancho", digam a ela, a Ereshkigal,
Um de vós derrame sobre ela o "alimento da vida", o outro a "água da vida",
Então Inanna erguer-se-á".
- O kurgarru e o kalaturru cumprem as ordens –
Eles oferecem-lhes a água do rio, eles não a aceitam,
Eles oferecem-lhes o grão do campo, eles não o aceitam,
"Dá-nos o corpo pendurado do gancho", dizem a ela.
A pura Ereshkigal responde ao kalaturru e ao kurgarru:
"O corpo é o da vossa rainha".
"Apesar de o corpo ser o da nossa rainha, dá-no-lo", disseram-lhe.
Eles dão-lhes o corpo pendurado do gancho,
Um derramou sobre ela o "alimento da vida", o outro a "água da vida".
Inanna ergueu-se.
Inanna está quase a ascender do mundo inferior,
Os Anunnaki agarram-na dizendo:
"Aquele que tenha descido ao mundo inferior jamais subirá ileso do mundo inferior!
Se Inanna ascender do mundo inferior,
Que dê alguém em sua substituição".
Inanna ascende do mundo inferior,
Os pequenos demónios como canas shukur,
Os grandes demónios como canas dubban,
Puseram-se ao lado dela.
O que estava na sua frente, apesar de não ser um vizir, segurava na mão um ceptro,
O que estava a seu lado, apesar de não ser um cavaleiro, tinha uma arma cingida à cintura.
Os que a acompanhavam,
Os que acompanhavam Inanna,
Eram seres que não conheciam alimento, que não conheciam a água,
Não comiam farinha espalhada,
Não bebiam água derramada,
Roubavam a mulher do regaço do homem,
Roubavam a criança do seio da ama.
Dumuzi vestiu um traje nobre, sentou-se no seu assento,
Os demónios agarraram-no pelas coxas...
Os sete demónios largaram-se sobre ele como se se dirigissem a um doente,
Os pastores não tocaram a flauta e a gaita perante ele.
Ela – Inanna – fixou o olhar sobre ele, o olhar da morte,
Pronunciou contra ele a palavra, a palavra da ira,
Soltou contra ele o grito, o grito da culpa:
"Quanto a ele, levem-no".
A pura Inanna entregou-lhes o pastor Dumuzi.
Os que o acompanhavam,
Os que acompanhavam Dumuzi,
Eram seres que não conheciam o alimento, que não conheciam a água,
Não comiam farinha espalhada,
Não bebiam água derramada,
Não se acolhiam com prazer no regaço da mulher,
Não beijavam crianças bem alimentadas,
Arrancavam o filho do homem de seus joelhos,
Levavam a enteada de casa do padrasto.
Dumuzi chorou, seu rosto tornou-se verde,
Para o Céu, para Utu – deus do Sol – ergueu a mão:
"Ó Utu, tu és o irmão de minha mulher, eu sou o marido de tua irmã,
Eu sou aquele que traz a nata a casa de tua mãe,
Eu sou aquele que traz o leite a casa de Ningal,
Transforma a minha mão na mão duma cobra (de um dragão),
Transforma o meu pé no pé de uma cobra (de um dragão),
Que eu escape aos meus demónios, que eles não me apanhem".


FONTE: http://www.pauloliveira.com/MySiteOLD/Zigurate/Zigurates.htm

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